Arautos d'El-Rei | O dia da mentira e da farsa vermelha
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O dia da mentira e da farsa vermelha

A Assembleia da República Socialista Portuguesa comemora o 46º aniversário do 25 de Abril, contradizendo o Estado de Emergência que ela própria declarou.

25 de Abril de 1974: A mentira da “liberdade” chegou vestida e enfeitada com a cor do socialismo soviético, do comunismo chinês ou do campo de concentração “Coreia do Norte”. “Liberdade” (e dinheiro!), sim, mas só para os políticos da esquerda e seus companheiros oportunistas. Para a população é ditadura vermelha e crua, conforme já se está finalmente a perceber.

A comemoração anual desta data no Parlamento parece fazer cada vez menos sentido. Por um lado, há o distanciamento temporal de quase meio século em relação à chamada revolução dos cravos. Por outro, assiste-se frequentemente à divulgação desvirtuada dos factos ocorridos nesse dia e nos meses que lhe sucederam, manipulada recorrentemente pela esquerda com intuitos ideológicos. Essa manipulação tem um desígnio claro que é o de fazer passar a ideia de que a democracia restabelecida em 1974 é sinónimo de socialismo e que, portanto, os socialistas são os pais e donos da democracia. Consequentemente, segundo eles, os sectores que têm uma concepção de sociedade radicalmente diferente da concepção socialista em que o Estado é omnipresente, são muitas vezes apelidados de antidemocratas por certas mentes desta democracia abrilina.

Assim, aos olhos de muitos portugueses, e em particular das gerações mais novas, a comemoração anual desta data na Assembleia da República vai-se tornando cada vez mais desinteressante e até mesmo irrelevante. Com efeito, a uma distância de quase meio século em relação aos factos ocorridos a 25 de Abril de 1974, as gerações mais novas vão-se apercebendo que, presentemente, esta data é aproveitada política e ideologicamente, sobretudo pela esquerda.

Este ano, num momento particularmente grave e difícil para muitos milhões de portugueses que se vêem privados da sua liberdade de deslocação e a enfrentar situações económicas muito delicadas, em resultado da imposição de um confinamento forçado pelo surto de COVID-19, eram totalmente dispensáveis as comemorações do 25 de Abril no Parlamento, sobretudo quando as regras para as referidas comemorações não são as mesmas que as exigidas à generalidade dos portugueses.

As regras restritivas do estado de emergência em curso (que parece não ter um fim próximo à vista) são postas em prática conforme as conveniências. Ou seja, essas regras são demasiado apertadas quando se trata de as impor ao cidadão comum, não havendo qualquer tipo de condescendência face à privação da liberdade de deslocação e de culto. No entanto, quando se trata da classe política, de onde deveria partir o exemplo, essas mesmas regras são aligeiradas, arranjando-se de imediato explicações para tentar calar os críticos e justificar o injustificável.

Como referia João Morgado no jornal online OBSERVADOR (22-4-2020), no artigo: “O Papa, Abril e os Porcos”, cuja leitura recomendo, e cito: “Na mesma sala em que se aprovou o Estado de Emergência, que proíbe o povo de ir ao funeral de família, abrir o negócio do seu ganha-pão ou sair à rua para cuidar dos idosos, consideram fundamental uma cerimónia oficial com convidados, todos muito juntinhos para reciclarem os mesmos discursos de sempre. Ao arrepio de tudo o que disseram, impuseram, defenderam, ordenaram… tenham os cuidados que tiverem, a verdade é que dão um pernicioso exemplo ao país, com forte cheiro a hipocrisia. Todos os que estiverem presentes, incluindo o Presidente da República, perderão a legitimidade para mais tarde exigirem isolamento a quem quer que seja, encerramento de empresas a quem quer que seja.” (…)

Olhando para tudo isto, Portugal chega à conclusão de que afinal, as leis para uns não são as leis para todos, por muito democráticas que sejam as desculpas.

Afinal, como no livro do George Orwell, quando os porcos chegaram ao poder e, ao contrário do que impuseram, começaram a dormir na cama e a andar em duas patas, mudaram os mandamentos e escreveram: “todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que outros”.

José Filipe Sepúlveda da Fonseca
(Crónica semanal para a Rádio Universidade FM de Vila Real, 22-4-2020)

NR: O subtítulo, a legenda e os destaques gráficos são da nossa Redacção.



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