Arautos d'El-Rei | «Provasse com muitos Vatecinios e Professias q o Rey D. Sebastiaõ ainda vive, e hade vir de novo reinar em Portugal»
833
post-template-default,single,single-post,postid-833,single-format-standard,ajax_fade,page_not_loaded,,qode-title-hidden,vss_responsive_adv,qode-content-sidebar-responsive,qode-theme-ver-10.1.1,wpb-js-composer js-comp-ver-5.0.1,vc_responsive
El-Rei D. Sebastião, "O Desejado"

«Provasse com muitos Vatecinios e Professias q o Rey D. Sebastiaõ ainda vive, e hade vir de novo reinar em Portugal»

El-Rei D. Sebastião, "O Desejado"4 de Agosto de 1578: El-Rei D. Sebastião desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir, depois de ter combatido com inexcedível bravura.

Por instantes, a batalha esteve praticamente ganha pelos portugueses, mas um misterioso brado — “Ter! Ter!” — claramente ouvido na nossa vanguarda, virou subitamente o curso dos acontecimentos e aquela que poderia ter sido a mais estupenda vitória lusa em terras de Além-Mar, tornou-se desde logo um desastre para o Reino.
Não obstante, Alcácer-Quibir ficou na memória do povo como o campo de batalha da Honra, da Cruzada, do Heroísmo e do Martírio. E bem no alto de tudo isso, destaca-se a figura do jovem Rei, idealista e puro, que passou para a História como “O Desejado”.
Nunca o povo lhe guardou rancor pelo desastre de Alcácer-Quibir. Pelo contrário, sempre o recordou como um filho dilecto da Nação, tragicamente perdido, mas que um dia haveria de voltar para “se cumprir Portugal”.

Essa esperança no regresso de El-Rei chama-se SEBASTIANISMO, como é sabido, e até hoje ela toca a alma de qualquer bom português porque é ao mesmo tempo uma saudade do passado e uma confiança num futuro melhor.
No dia 4 de Agosto, portanto, elevemos por um momento os nossos olhos ao Céu e peçamos à Rainha da Esperança — Nossa Senhora de Fátima — que nos traga o fruto consolador do sangue que os Heróis e Mártires de Alcácer-Quibir certamente não derramaram em vão.

E para melhor meditarmos sobre isto, aqui vai a transcrição de um interessante manuscrito do séc. XVIII, publicado pela primeira vez em 1947:

Prova-se com muitos Vaticínios e Profecias que o Rei D. Sebastião ainda vive e há de vir de novo reinar em Portugal.
As profecias propriamente ditas, por serem luzes do Espírito Santo, disputam os Teólogos o modo como Deus pode mostrar que são Suas. As que a Igreja definiu como tais, são matéria de Fé; e as que não têm tão autêntico testemunho, tão qualificadas podem ser por outras razões que será temerária impiedade julgá-las por falsas.
No que respeita à vinda de D. Sebastião há muitos vaticínios, os quais, ainda que não estejam aprovados pela Igreja, nem claramente conhecidos como profecias, propriamente são tais e muitas qualificadas por algumas razões. Logo pode dizer-se que é temeridade julgar os vaticínios absolutamente falsos. Destes vaticínios, uns foram antecedentes à perda e ainda ao nascimento do Rei D. Sebastião. Outros datam dos tempos que Ele esteve neste Reino, antes de passar à África, e outros depois. Os que foram antecedentes não o nomeiam por seu nome, mas trazem tais circunstâncias que só a Ele podem aplicar-se. Os que foram contemporâneos com Ele, ou depois da perda, alguns o apontarão com o dedo e outros o nominarão claramente.
Primeiramente é profecia conforme de muitos Santos que há de haver uma reforma na Igreja de Deus com a qual há de ficar. Que os Mouros e Turcos hão de ser desbaratados; a Terra Santa recuperada pelos Cristãos e que em toda a parte se há de gozar de grande união, paz e felicidade, principalmente em Portugal.
[…] São Teófilo, Bispo, depois de contar vários sucessos do Mundo na Profecia que começa [com] «Dum summum Imperium occupabitur», diz que «um Rei desconhecido dos homens, santo diante de Deus, reputado por morto e não esperado para reinar, havia [de] recuperar os Reinos perdidos, sujeitar o Grão Turco e restituir aos Cristãos a Casa Santa.»

Fonte: “SOBRE O SEBASTIANISMO – Um curiosos documento do começo do Século XVIII”, editado por A. Monteiro da Fonseca, Coimbra Editora Lda., 1959, págs. 49-50.
Os destaques gráficos e a adaptação da ortografia para o português actual são da responsabilidade da nossa Redacção.



Este site utiliza cookies para permitir uma melhor experiência por parte do utilizador. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Mais informação

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close