Arautos d'El-Rei | Catalunha: O referendo ilegal, o ataque ao Poder Central de Madrid e à Coroa, e a agenda pró-independentista da “Comunicação Social”
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Catalunha: O referendo ilegal, o ataque ao Poder Central de Madrid e à Coroa, e a agenda pró-independentista da “Comunicação Social”

Os graves acontecimentos ocorridos na Catalunha nos últimos dias, decorrentes da realização de um referendo ilegal sobre a independência daquela região autónoma de Espanha, ao total arrepio das disposições da Constituição espanhola de 1978 e do Estatut que rege a Catalunha, tiveram como primeiro resultado uma enorme exposição mediática.

Com uma imprensa nem sempre isenta, as imagens e as notícias que nos têm chegado – em particular dos vários canais de televisão – dão a ideia, aos mais desatentos e ingénuos, de uma repressão inclemente do poder central de Madrid que, por um capricho arbitrário, não quer deixar a maioria do povo catalão expressar sua vontade independentista nos votos.

Ora, nada mais distante da realidade dos factos.

O sentimento nacionalista, uma deturpação do autêntico desejo de regionalismo, passou a ser manipulado por correntes ideológicas diversas. Puigdemont, de uma coligação de democratas-cristãos e liberais, a CIU, é hoje refém das alianças políticas com a esquerda radical que sustenta o separatismo.

Entretanto, as mais recentes eleições na Catalunha demonstraram que o independentismo estava a cair na preferência dos eleitores. Qualquer consulta popular autêntica demonstraria que mesmo entre os catalães o apoio à independência não era maioritário. Assim, o interesse de Puigdemont e de todos os que o apoiam no seu governo seria embrenhar-se pelo caminho da ilegalidade e do caos.   Afrontando abertamente a Constituição espanhola e aprovando, ilegalmente, no Parlamento catalão, leis de ruptura com o Estado espanhol e com a Coroa, o executivo de Puigdemont encaminhou a situação para o confronto.

O objectivo primordial era o de confrontos e as imagens do uso da força por unidades de segurança do Estado, como a Guarda Civil. Estas imagens passeariam pelo mundo como agressões incompreensíveis e anti-democráticas. Além disso, possibilitaria a realização de um referendo que escapou a todos os mecanismos de vigilância legal e cujo resultado seria facilmente fabricado como arma propagandística.

Como referia Rui Ramos no dia 29 de Setembro no seu artigo Venezuelização da Catalunha publicado no jornal on-line Observador: “A crise catalã começou com as habilidades à António Costa de políticos falhados. Foi assim que a extrema-esquerda se tornou no árbitro da política catalã, e o separatismo a agenda do governo local.

“Para começar, não há um problema entre a Catalunha e a Espanha. Há um problema de políticos falhados que, em risco de perder o seu poder na Catalunha, onde não têm a maioria, recorrem ao mais velho de todos os truques: uma guerra de independência contra o governo de Madrid. (…)

“O problema da Catalunha não é diplomático. É político: este independentismo oportunista de políticos fracassados está a corroer o Estado de direito, a substituir o debate pela intimidação, o compromisso pelo ódio, os procedimentos regulares pelo golpismo, o voto pela rua, a lei pelo arbítrio.

Ora, nessa matéria, a esquerda radical – de simpatias chavistas – é mestra; agitação, ilegalidade, assalto às instituições, tudo em nome de um “aprofundamento da democracia”. E, “misteriosamente”, o governo de Mariano Rajoy permitiu que a situação chegasse a seu extremo, sem ter tomado as medidas legais e constitucionais que inabilitariam os sediciosos da Catalunha.

José Filipe Sepúlveda da Fonseca

(Crónica Semanal para a Rádio Universidade FM de Vila Real, 6 de Outubro de 2107)