Arautos d'El-Rei | «O Islão “moderado” é um cavalo de Tróia»
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Islam en France

«O Islão “moderado” é um cavalo de Tróia»

José Filipe Sepúlveda da Fonseca

Chocaram todo o Ocidente e o mundo em geral os atentados do passado dia 13 de Novembro em Paris, perpetrados por uma célula terrorista do autoproclamado Estado Islâmico e que vitimaram 129 pessoas. Muitos jornalistas, comentadores, responsáveis políticos e analistas apressaram-se em afirmar que os terroristas, à semelhança dos que em Janeiro deste ano executaram os atentados na redacção do jornal satírico Charlie Hebdo, não representam a forma de pensar e de agir do Islão. Ou seja, eles representariam apenas um sector radical dentro do Islão. Mas não é bem assim…

 

Para o politólogo e jornalista franco-italiano Alexandre del Valle, especializado no radicalismo islâmico, no terrorismo e nas relações Ocidente-Rússia: “A nova realidade da islamização demográfica, cultural e psicológica está a constituir-se em toda a Europa, com «provas de força», provocações ou escândalos provocados pelas organizações islâmicas subversivas, sob pretextos como o véu islâmico, a Burqa, as caricaturas de Maomé ou os minaretes na Suíça. Através destes escândalos mediáticos — aliás muito bem preparados — as organizações islâmicas pretendem instaurar um clima de terrorismo psicológico e exercer pressão sobre os governos europeus e sobre uma opinião pública culpabilizada.”

Recentemente, o padre católico Guy Pagès, outro estudioso do Islão que esteve vários anos em missão de evangelização na República islâmica do Djibuti, abordou a questão do Islão moderado e do diálogo com o Islão na obra “Interroger l’Islam” (Interrogar o Islão – 1235 perguntas a fazer aos muçulmanos), trabalho publicado no início deste ano.

Com um discurso distante do politicamente correcto, o Padre Guy Pagès afirma que o Islão moderado é um cavalo de Tróia. Segundo ele: “O terrorismo islâmico é o instrumento de combate do Islão na sua luta pela conquista dos territórios que ainda não foram submetidos à sua autoridade e o sistema democrático que permite a livre expressão, é sem margem de dúvida, o seu meio de difusão mais eficaz no Ocidente. Graças a esse sistema, à anestesia moral das nossas sociedades pós-cristãs e ao relativismo erigido em paradigma universal, os combatentes de Alá conseguiram elevar as suas acções ao estatuto da legitimidade política, levando-nos a negar os valores e a ter uma atitude de auto-culpabilização.

Esta atitude de auto-culpabilização e de submissão pacífica a que se vai assistindo no Ocidente, perante uma certa visão muçulmana do mundo, faz-me recordar amplos sectores das sociedades ocidentais que, durante a Guerra Fria, adoptavam a posição de capitulação do ceder para não perder condensada no slogan: “Melhor vermelho que morto” difundido à época por todo o mundo ocidental por grupos pacifistas pró-soviéticos, face à estratégia de intimidação do Ocidente levada a cabo pela União Soviética e pelos países do Pacto de Varsóvia.

Desta vez, os métodos utilizados pelos radicais islâmicos, inimigos da Civilização Ocidental, passam pela realização de atentados com grande repercussão mediática perpetrados contra civis nas grandes urbes, como o que ocorreu em Paris, e cujo objectivo último consiste em tentar impor gradualmente um clima de terrorismo psicológico e de medo nas pessoas e, consequentemente, provocar a mudança de estilos de vida nas sociedades, a meu ver, uma etapa a caminho da capitulação do Ocidente.

Crónica Semanal para a Rádio Universidade FM de Vila Real, 19-11-2015