Arautos d'El-Rei | Santa Maria de África e a Conquista de Ceuta – 600 anos
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Ceuta

Santa Maria de África e a Conquista de Ceuta – 600 anos

Decorre neste ano de 2015 o 600º aniversário da conquista de Ceuta (22 de Agosto de 1415). Foi uma das vitórias militares mais assinaláveis de El-Rei D. João I e dos Infantes seus filhos, D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique. Apesar da avançada idade, também nela participou o Santo Condestável D. Nuno Álvares Pereira “que simbolizou e resumiu em si tudo quanto havia de nobre e puro na História Medieval”, conforme disse Mouzinho de Albuquerque.
Com esta ousada e vitoriosa acção militar em Marrocos, impregnada do espírito de Cruzada contra o Islão, iniciou o Portugal a epopeia dos Descobrimentos que o levou aos quatro cantos do Mundo e que lhe abriu o caminho para chegar ao apogeu da glória.

A cidade de Ceuta (foto) já não é portuguesa, mas não se perdeu por ter sido abandonada ou retomada pelos Mouros, como sucedeu a outras que os portugueses conquistaram e mantiveram entre os séculos XV e XVIII. Pelo tratado de Lisboa, celebrado em 1668 entre Portugal e Espanha, a cidade foi cedida à coroa espanhola permanecendo até hoje um reduto cristão, com a sua Catedral e com o Santuário onde se encontra a histórica imagem da sua Padroeira, Santa Maria de África.

Santa Maria de ÁfricaEsta imagem (foto) foi enviada para Ceuta em 1421 pelo Infante D. Henrique, o Navegador, com a seguinte mensagem ao Capitão D. Pedro de Menezes: “Envio-vos esta imagem da qual sou muito devoto”. Enquanto a mão direita da Santíssima Virgem ampara a cabeça de Nosso Senhor morto, a mão esquerda segura o bastão ou Aleo com o qual D. Pedro de Menezes se apresentou diante de D. João I, voluntarizando-se para a espinhosa missão de manter a Praça sob o domínio português em pleno território sarraceno. «Senhor, este pau basta-me para defender Ceuta de todos os seus inimigos», disse D. Pedro a El-Rei que então o nomeou primeiro governador e capitão-geral da Cidade. Este acto tornou-se tão simbólico que o Aleo continuou a passar de mão em mão por todos os comandantes de Ceuta, com o mesmo juramento de a defenderem, tal como fez D. Pedro de Menezes.

Santa Maria de África, cuja festa se celebra a 5 de Agosto, foi proclamada Alcaide Perpétua de Ceuta no dia 5 de Março de 1654. Três séculos mais tarde, a 10 de Novembro de 1946, foi canonicamente coroada mas só em 1949 lhe foi reconhecido o título de Padroeira, outorgado pelo Papa Pio XII. A imagem encontra-se no Santuário do mesmo nome, erguido em sua honra no ano de 1676.

Desde que foi conquistada pelos portugueses e desde que passou para a coroa espanhola, nunca mais voltou Ceuta à posse dos muçulmanos. Graças à protecção da sua Padroeira, resistiu a todos os cercos e ataques, inclusivamente ao que os ingleses empreenderam em 1704, por mar e terra, com a mesma expedição que tomou Gibraltar à Espanha.