Arautos d'El-Rei | Não é “Acordo” nem é “Ortográfico”…
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Acordo não ortográfico

Não é “Acordo” nem é “Ortográfico”…

A aplicação do pseudo-acordo ortográfico, actualmente adoptado na Administração Pública e no ensino, é um tema que continua a causar muita polémica em amplos sectores da sociedade portuguesa.
No dia 14 de Abril teve lugar no Anfiteatro 1 da Faculdade de Letras de Lisboa, o Fórum – Debate “Pela Língua Portuguesa – Diga não ao Acordo Ortográfico”, numa iniciativa levada a cabo por um grupo de cidadãos.
A assistência que encheu por completo o Anfiteatro 1 da Faculdade de Letras ouviu com muito interesse e atenção as exposições solidamente fundamentadas de um amplo painel de oradores especializados no assunto, relativamente às incoerências do Acordo Ortográfico, nomeadamente no que respeita à sua aplicação, a qual só poderia ter ocorrido após ratificação por todas as partes assinantes, facto que até hoje não se verificou. Como referia Vasco Graça Moura, em 2013, na Audiência do Grupo de Trabalho Parlamentar sobre o Acordo Ortográfico, e cito: “este AO é absolutamente insustentável tanto no plano do direito internacional como no plano do direito Constitucional Português, por não ter sido ratificado por todos os Estados que o subscreveram”.
O painel de oradores do fórum-debate era composto pelo Vice-Reitor da Faculdade de Letras, Professor António Feijó, pelo jornalista do “Público” Nuno Pacheco, António Chagas, Casimiro de Brito, Francisco Miguel Valada e Maria Filomena Molder.
Também participou deste painel Duarte Bénard da Costa, aluno do Liceu Camões, primeiro signatário de uma petição para a não utilização do Acordo Ortográfico nos exames nacionais.
O humorista Ricardo Araújo Pereira e o escritor Pedro Mexia que fizeram questão de participar deste fórum-debate reafirmaram com o seu habitual humor acutilante a sua posição contra o AO.
Como referiram unanimemente os oradores e todos os intervenientes no debate, o Acordo não é Acordo, por não ter sido ratificado por todas as partes, nem é ortográfico, uma vez que contempla a existência de facultatividades.
Ficou patente neste fórum-debate que após três anos da imposição do Acordo Ortográfico no ensino e na Administração Pública, o “AO” falhou os seus objectivos, nomeadamente a unificação das variantes do Português e uma alegada “simplificação” que corresponde a uma total insegurança ortográfica.
Em resumo, podemos afirmar que o pretenso AO é uma fraude.  
Lanço um desafio para que noutros distritos do País, à semelhança do aconteceu em Lisboa, se organizem grupos de cidadãos que promovam fóruns-debate, nomeadamente, no meio académico, tendo em vista o esclarecimento cabal da opinião pública e a defesa Língua Portuguesa.

José Filipe Sepúlveda da Fonseca

Crónica Semanal para a Rádio Universidade FM de Vila Real, 16-04-2015