Arautos d'El-Rei | “O Islão e o Ocidente – A Grande Discórdia”
819
post-template-default,single,single-post,postid-819,single-format-standard,ajax_fade,page_not_loaded,,qode-title-hidden,vss_responsive_adv,qode-content-sidebar-responsive,qode-theme-ver-10.1.1,wpb-js-composer js-comp-ver-5.0.1,vc_responsive
O Islão e o Ocidente

“O Islão e o Ocidente – A Grande Discórdia”

Hoje venho recomendar uma leitura. Trata-se do livro publicado recentemente por Jaime Nogueira Pinto, “O Islão e o Ocidente – A grande discórdia”, um dos títulos em destaque na 85ª Feira do Livro de Lisboa.
No primeiro capítulo, “Em nome da Alá o Misericordioso”, Jaime Nogueira Pinto começa por fazer-nos um relato detalhado do contexto em que ocorreu a execução do jornalista norte-americano James Foley por membros do Estado Islâmico, afirmando: “Quem são os autores desta desalmada violência? Em que acreditam? Alguém os comanda? Quem? O que os leva a esta orgia de sangue e exibicionismo, a lembrar crónicas concentracionárias, cenas da Antiguidade, limites da perversidade humana?”

De seguida, o autor transporta-nos até às origens do Islão e aos seus fundadores, à Espanha muçulmana, às Cruzadas e ao Reino de Jerusalém.
Ao longo da obra, Jaime Nogueira Pinto, vai apresentando ao leitor as relações entre o Islão e o Ocidente, as divisões dentro do Islão e os “perigos e os encantos da ocidentalização”.
Aborda também, entre muitos outros temas, a questão do Nacionalismo Árabe, a nova ordem no Médio Oriente, a radicalização da Palestina e as Primaveras Árabes.
No penúltimo capítulo, “A Frente Laica da Guerra Santa”, o autor começa por fazer um relato minucioso dos recentes e bárbaros atentados de Paris, a 7 de Janeiro deste ano, na sede do jornal satírico Charlie Hebdo, facto que, segundo as suas palavras: “…moveu e comoveu mais os europeus do que a chacina das crianças e jovens do Colégio Militar de Peshawar, do que as mulheres escravizadas ou massacradas pelo Boko Harem na Nigéria, do que os egípcios coptas decapitados ritualmente, do que os cristãos crucificados às centenas no Iraque e na Síria”.
Apresenta-nos depois de forma detalhada a distribuição dos muçulmanos a nível mundial e a convivência dos mesmos com as culturas laicas dos países ocidentais, dando especial destaque à França, a “pátria do laicismo militante”, onde desde 2004 foi proibida a ostentação de símbolos religiosos nas escolas.
Sugiro-lhe, pois, a leitura desta obra, essencial para perceber os avanços e recuos do mundo islâmico e a sua convivência com o Ocidente ao longo dos séculos.
Boa leitura.

José Filipe Sepúlveda da Fonseca

Crónica semanal para a Rádio Universidade FM de Vila Real, 4/6/2015