Arautos d'El-Rei | Choque de Civilizações
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Massacres muçulmanos

Choque de Civilizações

Portugal anestesiado e indiferente à ameaça islâmica

António Feijó de Andrade Gomes
Coronel de Infantaria OE

Muito sumariamente gostaria de fazer algumas considerações sobre três temas:

O primeiro tem a ver com a situação do mundo que nos cerca e, se para já não nos condiciona, pode acontecer que mais cedo do que aquilo que podemos contar, possa interferir connosco e, neste sentido, manda o mais elementar senso cautelar, que para ele se olhe com cuidado, dando atenção ao sábio e velho aforismo popular de que “homem prevenido vale por dois” ou atendermos à máxima romana de “se vis pacem para bellum” ou ainda como Luis XIV de França, quando “prosaicamente” mandou gravar nos seus canhões a expressiva frase latina “ultimo ratio regum”, o último argumento dos reis, isto claro, no caso das boas e pacíficas intenções dos que acreditam na bondade das relações internacionais não darem resultados, como habitualmente acontece.

Vivemos tempos conturbados, mesmo muito difíceis, como não julgávamos que pudessem acontecer. Olhando para o que nos rodeia, não será difícil constatar que a fortíssima instabilidade que afecta o nosso Mundo radica bastante numa globalização desregrada, numa desregulação dos mercados e consequentes especulações financeiras, nos endividamentos inconsequentes, nos lucros desmesurados e enriquecimentos rápidos, por regra feridos de ilicitude e, não sendo despiciendo, na tenaz atenção sobre o domínio das fontes de matérias-primas e a ocupação dos seus corredores de passagem, enfim, Excelências, um enorme rosário de um sem número de situações, entre as quais devemos relevar como muitíssimo importante aquilo que está a acontecer no leste da Europa e por grande parte do Norte de África e Médio Oriente e noutras partes do Mundo.

Uma guerra de cariz religioso à escala global

Não falando agora no conflito russo-ucraniano que se deu por um conjunto largo de razões, mas também por esta Europa se encontrar “desarmada” e dependente energeticamente da outra parte, o que nos prende mais a atenção nestes últimos tempos, tem sido aquilo que está a acontecer no mundo islâmico.

De facto, julgo que será tempo de não haver dúvida que uma guerra de cariz religioso e civilizacional se iniciou e está a desenrolar, mas desta vez a uma escala global.

Quase todos os dias nos chegam notícias de massacres de cristãos, acontecidos um pouco por toda a parte, no Egipto, no Iraque e na Síria, nos territórios ocupados pelo autoproclamado califado (ISIS), mas também no sul das Filipinas, na Indonésia, no Paquistão, na Nigéria, tudo perpetrado às mãos de grupos islâmicos radicais, prodigamente financiados por estados da península Arábica.

Como vaticinava o grande académico francês André Malraux, o século que vivemos seria marcado profundamente pelo fenómeno religioso e civilizacional e, de facto, os conflitos que ora se sucedem, têm vindo a ser timbrados por esta circunstância.

The Clash of CivilizationsTudo isto, de certo modo, vem confirmando as teses defendidas por Samuel P. Huntington num seu primeiro livro com o interrogativo título “THE CLASH OF CIVILIZATIONS?“, (“CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES?”), posteriormente expandidas numa sua outra obra, editada em 1996, já com a afirmativa designação de “THE CLASH OF CIVILIZATIONS AND THE REMAKING OF WORLD ORDER” (“O CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES E A RECONSTRUÇÃO DA ORDEM MUNDIAL“). Nos seus escritos, refere que a sua «hipótese é que a fonte fundamental de conflitos neste mundo novo não será principalmente ideológica ou económica. As grandes divisões entre a humanidade e a fonte dominante de conflitos será cultural. (…) os principais conflitos da política global ocorrerão entre países e grupos de diferentes civilizações. O choque de civilizações dominará a política global. AS FALHAS GEOLÓGICAS ENTRE CIVILIZAÇÕES SERÃO AS FRENTES DE COMBATE DO FUTURO».

Perante esta obra que veio e vem trazer importantes dados à compreensão do estado actual do Mundo, o que de interessante ocorreu no tempo em que estas obras foram publicadas, foi a forma como o mundo do “politicamente correcto” se multiplicou em manobras para desmontar uma evidência, com a finalidade de desviar a atenção geral destes candentes temas, desta terrível realidade, orientando-a para outros rumos mais consentâneos com as políticas que se desenhavam que se queriam longe desta flagrante realidade. Desta forma, a minimização dos sinais relacionados com o ressurgimento do Islão agressivo foram relegados para as “calendas gregas”, e a não valorização da sua implacável acção, unicamente vocacionada para destruir a Civilização Ocidental e o nosso modo de vida alicerçado sobre os valores do Cristianismo e do mundo onde Ele nasceu e se desenvolveu, foram colocados na prateleira das coisas sem valor nem importância.

A ameaça comunista deu lugar à ameaça islâmica

O confronto Leste-Oeste, que marcou indelevelmente a segunda metade do século passado, findou com o desmoronamento do bloco comunista. E este descalabro ocasionou a orfandade dos partidos que gravitavam na sua órbita e daqueles outros que comungavam dessa ideologia que viviam no seio do chamado “Mundo Livre” que, contrariamente àquele que propunham, era compatível com os seus íntimos desejos de bem-estar e de liberdade.

Decapitai...Decapitai os que insultam o Islão“. Este cartaz foi exibido em Londres, a 3 de Fevereiro de 2006, durante uma “pacífica” e “tolerante” manifestação muçulmana. A vontade destes manifestantes está a cumprir-se…

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Porém, foi curto este luto, já que encontraram, quase de imediato, um modo de continuarem esse visceral ódio ao Ocidente e naturalmente ao Cristianismo, dando mão ao ressurgimento do Islão radical, apoiando a sua acção, bastando para isso, adaptar a doutrina aos seus propósitos e considerar que os meios de que dispõem neste momento estão em consonância com os fins a que se propõem, permitindo-lhes que Marx, Engels, Lenine e Estaline fossem substituídos por Alá e o seu Profeta, o “Capital” pelo Corão, o comunismo pelo islamismo, a bandeira vermelha pela bandeira verde, os comissários políticos pelos imãs das mesquitas, ignorando tacticamente o desprezo absoluto que o Islão tem por eles, verdadeiros incréus por natureza e formação.

O ódio ao cristão excede em muito todas as questões de fé. Ao atacarem-se e destruírem-se igrejas e outros lugares ligados ao cristianismo, ao perseguir-se o seu culto e matarem-se sem piedade os seus sacerdotes, religiosos e todos os cristãos em geral, quer destruir-se a Civilização Ocidental, naquilo que ela tem como seus pilares fundamentais, a democracia, a igualdade de género, o livre-arbítrio, os direitos humanos, o progresso baseado numa economia livre, enfim tudo aquilo a que depreciativamente chamam de “neo-colonialismo”.

A lassidão que anestesia a sociedade vai permitindo a destruição dos Valores da nossa Civilização

Este estado de coisas é maximizado por graves fenómenos de desestabilização, vulnerabilidade resultante da globalização apressada, e pela lassidão que parece envolver a sociedade em que nos inserimos muito motivada pelo “politicamente correcto” que é, infelizmente, usado e orientado por agendas partidárias de parlamentares que, nos desaguisados dos seus jogos pessoais e de grupo, obliteram o superior interesse das comunidades, mas também e sobretudo é activamente fomentado por centrais de vocação totalitária cuja luta tem, como seu superior desígnio, a destruição dos valores que estão na génese da nossa Civilização, combate que desenvolvem seja qual for o momento, sejam quais forem os locais e as circunstâncias em que as sociedades se encontrem.

A lassidão, que entorpece as sociedades e as acobarda perante quem as quer destruir, encobre-se neste pensamento do “politicamente correcto, não permitindo, por esta forma de estar e por este abúlico modo de proceder, a luta contra a intolerância, mas ao invés, tolerar o intolerável, não cuidando de saber que isso é propiciador da mais abjecta intolerância que, inevitavelmente, um dia voltar-se-á contra quem, com a sua cobardia, miseravelmente a potenciou.

O que se vem passando no seio de algumas comunidades islâmicas de várias cidades europeias e americanas deve merecer a mais atenta consideração e, por parte dos governos responsáveis, a mais elementar precaução cautelar, por razões da nossa própria sobrevivência, de nós, dos nossos filhos e dos filhos dos nossos filhos.

Estamos, Excelências, num tempo terrível por tudo isto e não só pelo que hoje vivemos, como por aqueles que se advinham no nosso devir: as multidões imensas do chamado Terceiro Mundo que procuram a Europa e as Américas serão um campo preferencial para a jihad e, nos subúrbios das nossas cidades ou mesmo largas áreas do seu interior, estão os campos de excelência para as acções de doutrinação e intimidação, que serão muitíssimo mais perigosas que os carros de combate dos exércitos do extinto Pacto de Varsóvia. Se não cuidarmos, frutificarão no nosso seio os germes da nossa própria destruição.

Devemo-nos preocupar com a passividade com que a isto se assiste e a inexorável lassidão que isso promove, assente que está num sentimento de nada se deixar fazer ou querer fazer, que corrói o âmago do homem porque, substituindo os códigos de valores a que sempre se sujeitou por outros de natureza efémera, circunstanciais, evidenciaram a disfuncionalidade entre a energia moral que cimentava a coesão das sociedades e o desenvolvimento material colocado ao seu dispor que era mister suportá-lo.

De facto, a mentalidade hedonista nascida do facilitismo propiciado pelos sucessos do desenvolvimento e do conhecimento científico, fez relegar a moral, o sentido ético da finalidade das coisas, para a esfera da subjectividade, ocasionando um crescente desequilíbrio entre as possibilidades materiais disponíveis e a energia moral que as deviam sustentar, procurando relegar para longe da vida das gentes a noção do sentido do fim último da caminhada do Homem – que nós, cristãos, acreditamos ser Jesus Cristo que sabemos ser o eixo e o fim de todo o acontecimento.

A segurança, como pressuposto da Liberdade e da Dignidade, tem sido abalada nos seus alicerces e desregrado o seu edifício, pelo aparecimento de novos moralismos que evocam valores de um modo vago e encoberto, que rapidamente resvalam para acção político-partidária e para a esfera das contradições formais do ser e do dever ser, aparecendo mais como dirigidos a outros e muito pouco ou quase nada para quem os invoca ou avoca, visando tão-somente determinar aquilo que considera moral ou não, aquilo que em si mesmo, é bem ou mal. Disto deriva a ausência de valores e referenciais de ordem moral.

“Rearmamento moral”: o primeiro passo para ganhar a coragem de combater contra os que nos querem destruir

Real Colégio Militar

Real Colégio Militar (1803-2015) – A descaracterização e destruição desta Escola secular (assim como do Instituto de Odivelas e do Instituto Técnico Militar dos Pupilos do Exército) tem-se intensificado nos últimos anos e faz parte de uma agenda política que visa a mediocrização do ensino e a humilhação das Forças Armadas.

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E o seu resultado é a angústia que hoje nos vitima, é o “desarmamento moral da Nação” que nos atormenta, no nosso caso tão evidentes nos ataques sibilinos à coesão nacional, ao apoucamento das instituições soberanas e ao inqualificável modo como a Instituição Castrense é tratada, que são os epifenómenos mais gritantes desse fenómeno referido que é muitíssimo perigoso para a nossa sobrevivência, o “DESARMAMENTO MORAL DA NAÇÃO”. Sobre ele podemos afirmar como o Padre Teillard de Chardin o fez, quando escreveu que “o barbarismo da nossa época é ainda mais espantoso pelo facto de tanta gente não ficar realmente estarrecida com ele”.

Vivemos tempos difíceis, tempos de preocupação, é certo, mas também, certo é, de grandes desafios no sentido de se envidarem todos os nossos esforços e as nossas preocupações para recolocar os princípios éticos permanentes em consonância com a dinâmica da aplicação dos meios materiais, recentrar os valores que devem dirigir toda a actividade do Homem, consigo próprio, no seio da sua família ou do grupo social a que pertence.

A Pátria espera de todos nós esta dádiva, este esforço. Hoje mais do que nunca temos de nos REARMAR MORALMENTE e preparar-nos com afinco para os choques potenciais que nos aparecem no horizonte, no caminho do devir. É um desafio imperativo que cabe aceitar, individualmente ou no seio da comunidade onde vivemos e trabalhamos, junto e motivando os demais, denunciando as manobras espúrias e combatendo frontalmente quem nos quer destruir e quer eliminar os nossos, regulando todo o nosso proceder pelas nobres virtudes militares, na Fé em Cristo Redentor da Humanidade, e no Magistério da Igreja.

Coronel António Feijó de Andrade GomesAntónio Feijó de Andrade Gomes
Coronel de Infantaria / Operações Especiais

Excertos do discurso proferido na cerimónia anual da Irmandade Militar de Nossa Senhora da Conceição, Lamego, 4 de Outubro de 2014

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