Arautos d'El-Rei | As três matrizes do Pensamento Ocidental
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Santo Agostinho

As três matrizes do Pensamento Ocidental

Do nosso correspondente Armando Alexandre dos Santos *

Sócrates, com a maiêutica, ensinou o parto das ideias, ensinou a pensar, estabeleceu as regras básicas do pensamento lógico. Seu discípulo Platão aplicou e desenvolveu as ideias do mestre, teorizando acerca de um mundo ideal que deve servir de baliza e modelo ideal para a realidade humana. Seu pensamento é dedutivo, parte do geral e se aplica ao particular, mantendo-se sempre ambos em perfeito equilíbrio. Já Aristóteles, discípulo de Platão, desenvolveu e aperfeiçoou os ensinamentos socráticos e platônicos de um ponto de vista diverso.

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Na Era Cristã, o pensamento de Platão teve numerosos seguidores, dos quais, talvez, o maior e mais brilhante tenha sido Santo Agostinho, Bispo de Hipona (foto), profundo pensador e intelectual fecundíssimo.

 

Aristóteles era cientista, filho de médico e ele próprio estudou medicina. Seu método era o estudo dos casos concretos e particulares para, a partir deles, chegar ao conhecimento e formulação das regras gerais. Seu pensamento era indutivo, ao contrário de Platão. Mas ambos se completam admiravelmente. Em ambos se nota o mesmo equilíbrio fundamental da natureza humana, o geral com o particular, o todo com as partes, a teoria com a prática.

Um exemplo mostra bem as diferenças dos dois. Na República, Platão concebeu um regime político ideal, se bem que, no sentido original do termo, utópico, ou seja, não existente em lugar algum. Já Aristóteles escreveu a Política seguindo o caminho inverso. Possuindo um generoso e rico Mecenas, Filipe da Macedônia, dispunha de verbas abundantes para seus estudos. Pôde, assim, enviar emissários a todos os povos então conhecidos, coligindo mais de duzentos relatos de como se governavam em concreto os povos. Foi a partir desse rico material de pesquisa que teorizou e elaborou sua obra. Ambos, Platão e Aristóteles, por caminhos diferentes influenciaram profundamente o pensamento político do Ocidente, sendo ambos considerados ainda hoje, a justo título, luminares da Ciência Política.
O pensamento grego, assimilado e adaptado pelo gênio romano, recebeu ainda um terceiro componente, de importância fundamental: a influência hebreia, que nos chegou por intermédio do Cristianismo, trazendo o elemento religioso da revelação divina. Essas são as matrizes do pensamento original do Ocidente, profundamente lógico, coerente e completo.

Já na Era Cristã, o pensamento de Platão teve numerosos seguidores, dos quais, talvez, o maior e mais brilhante tenha sido Santo Agostinho, Bispo de Hipona e profundo pensador e intelectual fecundíssimo. De conhecimentos enciclopédicos, escreveu com profundidade e espírito criativo sobre todos os ramos do conhecimento humano – sempre sem perder de vista a unidade fundamental desse conhecimento.
Aristóteles teve, na Idade Média, um discípulo igualmente genial, São Tomás de Aquino, que cristianizou, renovou, desenvolveu e aperfeiçoou o aristotelismo, num conjunto de mais de cem obras, igualmente abarcativas de todos os ramos do conhecimento. O pensamento aristotélico-tomista também privilegia a visão global do conhecimento humano, especialmente na Summa Contra Gentiles (que é exclusivamente filosófica e faz abstração da Revelação) e na Summa Theologiae (a qual, como o próprio nome indica, focaliza temática religiosa e teológica, sem embargo de incorporar poderosamente o arcabouço filosófico).


Prof. Armando Alexandres dos Santos* ARMANDO ALEXANDRE DOS SANTOS é historiador, jornalista profissional, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e ex-director da Revista da Academia Piracicabana de Letras.

Nota da Redacção: Este artigo foi escrito em genuíno e correcto português do Brasil, não devendo, portanto, confundir-se com uma aplicação das “regras” do chamado “Acordo Ortográfico”, o qual é categoricamente rejeitado pela nossa Redacção.

Fonte: PAZ – Blogue Luso-Brasileiro