Arautos d'El-Rei | A Islamização da Europa ante a passividade dos Governos Europeus
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A Islamização da Europa ante a passividade dos Governos Europeus

Em 6 de Agosto de 1994, a prestigiada revista britânica The Economist dava à estampa uma separata de 18 páginas com uma sugestiva ilustração colorida na capa reproduzindo uma cena de um cruzado cristão e de um guerreiro muçulmano. A matéria aí publicada intitulava-se “Uma Análise ao Islão” e na capa aparecia ainda a seguinte frase: “Outra Vez não, por amor de Deus”, numa clara alusão às Cruzadas.
Chamou-me de imediato a atenção a matéria aí tratada, bem como o destaque que era dado à mesma, numa altura em que ainda não se falava com tanta frequência como nos dias actuais do perigo que significa o radicalismo islâmico para o mundo ocidental. Na referida publicação, eram apresentados artigos de diversos especialistas nessa área que lançavam a seguinte pergunta: Será a próxima guerra de que muita gente fala actualmente, uma guerra entre o Ocidente e o Islão?

Recordo-me que na ocasião mostrei e comentei o conteúdo desta publicação entre um grupo de amigos, dado o interesse natural que a matéria me suscitou e pela preocupação que, a meu ver, a mesma deveria suscitar no espírito de qualquer leitor minimamente atento à questão do radicalismo islâmico. Foi com algum espanto e até com apreensão que verifiquei que a grande maioria dos meus interlocutores reagia com indiferença e despreocupação ao assunto, desvalorizando o destaque dado pela revista The Economist à matéria em causa, tendo chegado alguns deles a questionar-me: Mas, está preocupado com o cenário de um possível confronto de civilizações entre o Islão e o Ocidente num futuro próximo? Não se preocupe, isso nunca vai acontecer.
Naquela roda de amigos, em Agosto de 1994, quem poderia, no entanto, imaginar ou sequer conjecturar que, sete anos mais tarde, na radiosa manhã de 11 de Setembro de 2001, que deveria ser igual a tantas outras manhãs, um grupo de islamitas radicais iria perpetrar os mais terríveis atentados terroristas de que há memória, onde perderam a vida quase 3000 pessoas inocentes nos Estados Unidos?
Esses atentados foram presenciados em directo em praticamente todo o mundo, tendo desencadeado uma enorme acção mediática.
Através deles, os radicais islâmicos pretendiam mostrar simbolicamente ao Ocidente, numa gigantesca acção psicológica ampliada pelo efeito exercido pelos média nas opiniões públicas, que o edifício que sustentava o estilo de vida ocidental tinha sido abalado nos seus dois principais alicerces, ou seja, o coração do mundo financeiro, representado pelas Torres Gémeas, e o Pentágono, símbolo do poderio militar americano, tinham sido atacados. Isto deixava no espírito de muito gente a ideia de vulnerabilidade dos Estados Unidos, e em última análise a ideia de vulnerabilidade do próprio mundo ocidental.
A esta altura, certamente já se terá questionado, por que motivo faço referência, na crónica de hoje, ao artigo da revista The Economist de Agosto de 1994 sobre o Islão radical e aos atentados do 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos?
Através destas referências, pretendo apenas recordar que a temática do radicalismo islâmico e das suas consequências para o mundo ocidental, está hoje, mais do que nunca, na ordem do dia, sendo frequentemente objecto de estudos especializados.
A este propósito, deixo-lhe aqui alguns excertos bem elucidativos da situação actual do radicalismo islâmico, extraídos da obra: A Islamização da Europa recentemente dada à estampa, da autoria de Alexandre del Valle, politólogo e jornalista franco-italiano, especializado no radicalismo islâmico, no terrorismo e nas relações Ocidente-Rússia. Del Valle trabalha em Bruxelas, no Parlamento Europeu, como consultor político do grupo de deputados do Partido Popular Europeu.
Para este autor, o processo de islamização da Europa é um perigo evidente para a ela e uma ameaça para toda a civilização ocidental.
Afirma ele: “Há dez anos, o perigo de a Europa se tornar, dentro de uma ou duas gerações, maioritariamente islâmica era uma fantasia. Hoje em dia, é uma perspectiva bastante realista (embora não certa), porque a Europa renunciou aos seus valores judaico-cristãos e está dominada, por uma cultura de culpa e de morte, por um suicídio civilizacional colectivo.”
Refere ainda que “A nova realidade da islamização demográfica, cultural e psicológica está a constituir-se em toda a Europa, com «provas de força», provocações ou escândalos provocados pelas organizações islâmicas subversivas, sob pretextos como o véu islâmico, a Burqa, as caricaturas de Maomé ou os minaretes na Suíça. Através destes escândalos mediáticos – aliás muito bem preparados -, as organizações islâmicas pretendem instaurar um clima de terrorismo psicológico e exercer pressão sobre os governos europeus e sobre uma opinião pública culpabilizada.”
A meu ver, o avanço do radicalismo islâmico na Europa deveria, ser objecto de uma série e ampla análise e de tomadas de posição categóricas por parte dos governos europeus, visando reverter o processo de islamização demográfica, cultural e política a que a Europa está a ser submetida.

Crónica Semanal para a Rádio Universidade FM de Vila Real, 18-03-2010