Arautos d'El-Rei | Canonização do Beato Nuno de Santa Maria
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Canonização do Beato Nuno de Santa Maria

Numa altura em que parece haver uma crise de auto-estima entre a sociedade portuguesa, e quando se fazem ouvir algumas vozes defensoras de um União Ibérica, é importante acentuar perante os Portugueses a figura ímpar do Santo Condestável, cuja acção foi decisiva para a consolidação da unidade nacional em momentos em que a independência nacional corria perigo.

José Filipe Sepúlveda da Fonseca

No passado dia 21 de Janeiro, o Papa Bento XVI anunciou a canonização do Beato Nuno de Santa Maria que decorrerá em Roma no dia 26 de Abril. Esta notícia terá certamente sido motivo de alegria para muitos católicos, e de forma particular para os portugueses espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Dom Nuno Álvares Pereira, foi beatificado pelo Papa Bento XV em 23 de Janeiro de 1918, tendo o seu processo de canonização sido iniciado em 1940. Foi posteriormente interrompido, nos anos 60, em grande medida em resultado da guerra colonial, facto que, segundo as palavras de S.A.R. o Duque de Bragança: “Terá dado um contributo para os atrasos neste processo, que se arrastou durante décadas, porque D. Nuno Álvares Pereira era um militar.” . O processo foi reaberto, em grande medida devido à acção do Duque de Bragança. A partir de 2000, o Herdeiro do Trono de Portugal, descendente do Condestável e um dos grandes promotores da causa da Canonização de Dom Nuno Álvares Pereira, desenvolveu contactos com as igrejas espanhola e portuguesa, para que a Canonização do Santo Condestável fosse reconhecida e o processo avançasse. Em 13 de Julho de 2004, a Ordem do Carmo, juntamente com o Patriarcado de Lisboa, decidiu retomar a defesa da causa da canonização de Nuno Álvares Pereira. Nuno Álvares Pereira ingressou na Ordem do Carmo em 1422 com o nome religioso de Frei Nuno de Santa Maria.

Alguns meios de comunicação social generalistas e outros de inspiração religiosa têm noticiado a canonização de Nuno Álvares Pereira. Têm igualmente sido publicados alguns artigos acerca deste tema, onde são ressaltadas simultaneamente as vertentes militar e religiosa que caracterizaram a vida do Santo Condestável.

Dom Nuno Álvares Pereira revelou o seu excepcional génio militar em várias ocasiões, sendo de destacar sobretudo a vitória do exército português por si comandado a 14 de Agosto de 1385, na batalha de Aljubarrota, exército constituído por 6.000 portugueses e aliados ingleses, contra as 30.000 tropas castelhanas. A batalha viria a tornar-se decisiva para o fim da crise política de 1383-1385 e para a consolidação da independência de Portugal.

Mas, que simbolismo e que significado terá para o povo Português, nos dias actuais, a canonização desta ilustre figura da nossa História?

Deverá apenas ser recordado como um exímio militar ou também um homem de Fé, um inspirador dos valores da integridade, dignidade, amigo da Pátria e dos pobres, tal como nos é apresentado pelos seus cronistas?
Penso que a circunstância da sua canonização deveria ser aproveitada para relembrar ao povo português não só o excepcional génio militar, mas sobretudo a grande figura nacional que foi Dom Nuno Álvares Pereira. 

Numa altura em que parece haver uma crise de auto-estima entre a sociedade portuguesa, e quando se fazem ouvir algumas vozes defensoras de um União Ibérica, é importante acentuar perante os Portugueses a figura ímpar do Santo Condestável, cuja acção foi decisiva para a consolidação da unidade nacional em momentos em que a independência nacional corria perigo.

A meu ver, este evento não pode nem deve ser ignorado pelo Estado Português. No entanto, é com apreensão e estranheza, caro ouvinte, que constato que, de entre todos os responsáveis do espectro político-partidário e das instituições oficiais do Estado Português só tenha havido pronunciamentos sobre a canonização de Dom Nuno Álvares Pereira por parte respectivamente do Chefe de Estado e do líder do CDS-PP. A propósito do evento, o Dr. Paulo Portas afirmou: “É uma grande alegria para Portugal, para os católicos portugueses e para as instituições que têm o Condestável como inspiração, os militares e os que ajudam quem mais precisa.”  E acrescentou ainda: “Deve saudar-se efusivamente a canonização de D. Nuno Álvares Pereira, cujo “testemunho de vida, coragem e fortaleza nas crises, generosidade e entrega aos pobres, é um exemplo que importa não esquecer. Foi um líder destemido que sempre assentou a força na justiça.”.  Paulo Portas realçou ainda o facto de o Santo Condestável ter abandonado todo o poder e todas as honras depois de ter atingido todos os seus objectivos, para se dedicar à fé e ingressar na Ordem do Carmo.

Crónica semanal para a Rádio Universidade FM de Vila Real