Arautos d'El-Rei | 1908-2008. O Regicídio – Um século depois… Homenagem dos Arautos d’El-Rei
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1908-2008. O Regicídio – Um século depois… Homenagem dos Arautos d’El-Rei

Manifesto divulgado pelos Arautos d’El-Rei no dia 1 de Fevereiro de 2008, Centenário do assassinato de El-Rei D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luís Filipe.

“Mais uma vez foi fecundo o sangue dos mártires!”

Há exactamente uma década terminávamos com estas palavras a homenagem aos Reis Mártires, vítimas de um crime perpetrado em razão do fanatismo ideológico.

Éramos estudantes em Coimbra e fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para difundir esse texto, que acabou por ser amplamente lido e comentado nos meios universitários e monárquicos.

Deste modo, parece-nos que tem todo o propósito iniciar este manifesto relembrando aquela afirmação, pois estamos certos de que ainda é fecundo o sangue derramado no Terreiro do Paço pelo Rei de Portugal e pelo seu filho primogénito, o Príncipe D. Luís Filipe, Rei D. Luís II por alguns momentos, como a ele se referiu Ramalho Ortigão.

Um século se passou! E os regicidas, que julgavam poder destruir pela violência uma das grandes instituições da Civilização Cristã – a Monarquia – estão hoje cobertos pela vergonha da História, enquanto as duas vítimas Reais, revestidas pelo manto do martírio, são sempre lembradas com veneração e respeito, suscitando actos de piedade e patriotismo em sua memória, e reforçando os nossos sentimentos de esperança nos seus continuadores históricos, Sua Alteza Real o Duque de Bragança e sua Descendência.

Os tiros que abateram El-Rei D. Carlos e o Príncipe Real D. Luís Filipe atingiram também a História de Portugal. De lá para cá, o nosso País sofreu inúmeras convulsões e descaminhos, fruto de um regime nascido sob o signo da ilegitimidade.

Parte considerável da herança material e espiritual de um passado de Fé e de heroísmo foi dilapidada e os herdeiros ideológicos dos regicidas do Terreiro do Paço comandam hoje os nossos destinos e buscam, incessantemente, apagar os vestígios de lusitanidade e de cristianismo presentes nos nossos costumes, na nossa mentalidade, nas nossas instituições.

Um século após o martírio real e em vista do rumo que está a ser imposto à sociedade portuguesa, as nossas considerações não podem ser apenas nostálgicas.

Somos jovens que desejam influir no Futuro, e por isso o nosso brado é um protesto. Mas um protesto de homens de Fé, que crêem na vitória de ideais e princípios imutáveis, os quais conformaram povos e nações e fizeram a glória de uma civilização, que no dizer de um Sumo Pontífice – o Papa Leão XIII – “artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer”.

Em homenagem à memória das duas augustas vítimas da sanha republicana, voltamos os nossos olhos para o presente, a fim de tecermos algumas considerações sobre Portugal, a Europa e a Monarquia.

 

Monarquias acusadas de obsoletas e opressoras

O regicídio de 1908 foi, como dissemos, fruto de um fanatismo ideológico e político. Tal fanatismo consubstanciava-se na utopia igualitária, engendrada pelo mito de que toda e qualquer forma de hierarquia social, política e económica ou de autoridade tradicional era geradora de infelicidade nas relações humanas. Nessa lógica, era necessário extirpar da sociedade qualquer vestígio de diferença.

É claro que esta premissa não escondia um ódio metafísico a todo o tipo de hierarquia e, portanto, à própria obra da Criação, sumamente hierarquizada nos seus elementos.

Numa concepção evolucionista da História, para que a Humanidade alcançasse plena felicidade e um estágio superior na sua existência, tornava-se necessário abolir da ordem social todas as aristocracias e monarquias.

Deste modo, não poderiam mais ser toleradas as elites tradicionais, destiladas pela ordem natural da Criação, impregnadas de valores cristãos e geradoras da prosperidade que tão bem caracterizou a Civilização Ocidental. Enquanto existissem, elas irradiariam modos de pensar, de sentir e de actuar avessos à “modernidade” revolucionária. Os que ainda se sentissem honrados por nelas serem nascidos, revelariam sentimentos de orgulho e de vaidade e os que lhes dessem valor seriam pessoas ultrapassadas, movidas por meros sentimentos estéticos e saudosistas.

As Monarquias foram consideradas obsoletas e opressoras, as Aristocracias aberrantes e discriminatórias.

A violência passou a ser vista como uma forma legítima para se alcançar uma organização social que se queria mais perfeita pelo nivelamento igualitário.

 

A violência e o crime como armas políticas

Tal utopia era a decorrência lógica da imensa comoção sócio-política que abalou a França no final do século XVIII.

O conjunto de doutrinas, de manobras políticas, de agitações e de crimes que constituiu a Revolução Francesa, culminou com a decapitação do Rei e da Rainha de França, Luís XVI e Maria Antonieta. Empreendeu ela, simultaneamente, a demolição do Altar e do Trono, pregando o ódio a qualquer autoridade legítima e negando de modo furibundo qualquer desigualdade, ainda quando legítima e necessária.

O avanço dos ideais revolucionários deu-se através das Guerras Napoleónicas (início do Século XIX) em quase toda a Europa, com a substituição forçada das monarquias tradicionais pelas monarquias liberais. Estas, contaminadas pelos germes nocivos do espírito igualitário, condescendentes, por vezes, até com certos pressupostos da mentalidade jacobina, anti-religiosa e laica, apressaram o seu próprio fim, ou então acabaram por contribuir com a degradação social e moral das nações que ainda vivem sob regimes monárquicos constitucionais.

Dando continuidade a este processo de “transição”, as forças revolucionárias, literalmente, “entraram a matar” no Século XX. Na Rússia comunista, por exemplo, a Família Imperial foi barbaramente fuzilada. A Imperatriz Sissi da Áustria foi cruelmente assassinada em Genebra, o mesmo acontecendo alguns anos mais tarde ao Arquiduque Francisco Ferdinando, em Sarajevo. A Rainha Vitória da Inglaterra e o Rei Afonso XIII da Espanha foram também alvos de atentados.

Em Portugal, a exacerbação deste ódio teve o seu clímax no dia 1 de Fevereiro de 1908.

Dois anos mais tarde a República impôs-se por um golpe de Estado e a Família Real foi expulsa, como se se tratasse de criminosos a extraditar. Daqui se passou rapidamente à “segunda fase”, ou seja, à perseguição contra a Igreja e a Religião, fundamentos naturais de toda essa ordem a ser abatida.

 

O crepúsculo da liberdade

Quem considerar, numa visão de conjunto, a actual situação política da nossa vizinha Espanha e a de Portugal, não tem dificuldade em perceber que, sob a capa do regime democrático, os dois países passam actualmente por um processo idêntico.

A governação socialista em ambos países, “neta” dos ideais republicanos jacobinos, vai, por toda a parte, ressuscitando os velhos fantasmas do autoritarismo igualitário e da anti-religião.

Em Espanha, a par da série de leis frontalmente contrárias à moral cristã e dos ataques de certos meios oficiais à Igreja, ponderáveis sectores esquerdistas (incluindo o Partido Socialista) promovem abertamente uma campanha contra a Monarquia, tendo a efígie do Rei sido queimada em diversas ocasiões em várias cidades espanholas, nos últimos meses.

Após as virulências comunistas da Revolução dos cravos, de 25 de Abril de 1974, Portugal imergiu numa época de “democracia” e de certa prosperidade económica.

Assim tem vivido o nosso povo na despreocupação, no optimismo, no crescente gozo da vida e na paulatina dissolução dos costumes, que se alastra a todas as classes sociais.

Ao fim de quase trinta e cinco anos, entretanto, assistimos novamente ao recrudescer dos métodos e das ideologias que julgávamos definitivamente ultrapassados.

Os regimes revolucionários e, mais concretamente. o actual regime socialista, embora inimigos das elites naturais e tradicionais, criam as suas próprias “elites” de dominação, privilegiam-nas ao máximo e defendem os seus interesses escamoteando a Verdade, o Direito e a Lei.

Quanto ao processo político, dito democrático, é estranha e misteriosamente falseado, com a conivência das forças de oposição, que se omitem, quando não colaboram com tal falseamento.

Assistimos a esse processo actualmente em Portugal, com o cerceamento da expressão de opiniões e de crenças, com o reforço do controlo do Estado sobre os indivíduos.

Recorde-se, apenas a título de exemplo:

1) o modo controverso que muitos qualificaram de golpe branco pelo qual, em 2005, o então Presidente da República retirou a confiança ao governo de maioria absoluta, tendo criado as condições para a ascenção ao poder do actual governo;

2) as interferências acintosas do Governo nos órgãos de comunicação social, públicos e privados;

3) a politização dos serviços de informação e a sua dependência directa da Presidência do Conselho de Ministros, como nos regimes ditatoriais;

4) a eclosão de graves escândalos morais de políticos, misteriosamente silenciados ou não esclarecidos;

5) a tentativa de silenciamento de minorias incómodas, com a interdição de partidos com menos de 5000 militantes registados e a obrigatoriedade de os partidos enviarem ao Estado as listas com os nomes dos seus militantes;

6) a recusa sistemática de actualizar a nossa Constituição, ainda hoje refém das utopias socialo-comunistas;

7) a crescente carga tributária, a lesar seriamente a iniciativa e a propriedade privadas e a constituir forte entrave ao crescimento económico do País;

8) a prepotência das medidas fundamentalistas que fizeram retirar os crucifixos dos estabelecimentos de ensino oficial e que agora pretendem proibir a atribuição de nomes de santos a tais estabelecimentos;

9) a imposição de absurdas limitações à assistência religiosa dos capelães nos hospitais;

10) a imposição às crianças de uma educação sexual imoral (de uma iniciação sexual, melhor diríamos);

11) as artimanhas e escamoteações usadas para fazer aprovar uma legislação radical pró-aborto, incentivadora da morte de inocentes e até mesmo a tentativa de modificar o código deontológico dos médicos;

12) o intervencionismo estatal com que o Governo impôs o controlo sobre uma das mais importantes instituições financeiras do País;

13) a legislação sobre a segurança alimentar e a prepotência da actuação da ASAE, verdadeira força policial ao serviço do “Partido”, para o extermínio das mais miúdas práticas e hábitos típicos do nosso povo e o prejuízo das economias locais.

Não estaremos, precisamente, a assistir, sob as aparências democráticas, ao crepúsculo da liberdade, rumo a um regime autoritário?

Diante deste quadro, com tantas implicações morais, seja-nos permitido mencionar, de passagem, o desconcerto que perpassa muitos espíritos: a incompreensível passividade e o misterioso silêncio de tantos daqueles que, pela sua missão divina deveriam conduzir os fiéis, ensinando, alertando, denunciando. Por vezes a sua incompreensível inércia traz-nos ao espírito a invectiva do Profeta Isaías às “sentinelas cegas” e aos “cães mudos” que dormem e não ladram, deixando seu rebanho à mercê do perigo.

 

A demolição da Civilização Europeia

Com matizes diversos, os círculos de dirigentes europeus vão impondo ao Continente um processo semelhante, em que as liberdades vão sendo cerceadas e os valores cristãos demolidos.

A Velha Europa, após a Segunda Guerra Mundial, iniciou um processo de unificação que está longe de apresentar os seus contornos definitivos, bem como de revelar as intenções mais profundas dos seus idealizadores.

Apesar disso, já se notam muitos sinais preocupantes. O processo de unificação caminha, cada vez mais, à revelia da opinião pública europeia. Estão ainda na memória de todos, os malabarismos institucionais que se fizeram para aprovar o chamado “Tratado de Lisboa”, inequívoca reedição da Constituição Europeia, rejeitada abertamente em plebiscitos de grande repercussão. E para que não volte a repetir-se o fracasso de implementar a dita Constituição pela via do plebiscito, pretende-se agora evitar nova consulta aos povos europeus, impondo-lhes simplesmente um estatuto que alguns já rejeitaram e que outros nem sequer conhecem.

Assim, uma “casta” de políticos, distorcendo os mecanismos do regime dito democrático, vai impondo de forma autoritária os seus desígnios. Neste processo, não passa despercebida, até ao mais ingénuo dos observadores, a negação da matriz Cristã da nossa sociedade.

Procurando revitalizar os velhos princípios sectários de Liberdade, Igualdade, Fraternidade (na formulação que lhes deu a Revolução Francesa), e que conduziram às agressões e à queda violenta dos regimes monárquicos, inclusivamente ao Regicídio de há um século, estes modernos senhores da política afrontam a realidade histórica e procuram no Iluminismo ateu a fonte inspiradora da Civilização Europeia, negando-lhe o seu berço cristão.

Tal negação, longe de ser um preciosismo histórico, deixa entrever a intenção de construir, com a unificação europeia, uma sociedade de valores e princípios diametralmente opostos aos da Civilização Cristã.

 

O abandono dos valores cristãos

As contínuas investidas contra as legítimas e harmónicas desigualdades sociais, promovidas pelo republicanismo igualitário, não poderiam deixar de acarretar a destruição da ordem multissecular nascida da Civilização Cristã. A sociedade ocidental ainda possuía em processo de decadência, é bem verdade, o sistema de valores que a seiva da doutrina e da vida cristã virtuosa criara ao longo de séculos. Os valores cristãos não eram postos em causa, mas, isso sim, constituíam um ponto de referência. O relativismo ainda não grassava em absoluto. As elites eclesiásticas e civis, pelo seu estilo de vida, tinham como missão exemplar tudo elevar.

Nesta sociedade cristã, correspondia à figura das elites um tipo psicológico e moral característico, que enformava o homem na sua plenitude.

Não é difícil compreender que o depauperamento e aviltamento do legítimo papel da Nobreza e das elites tradicionais nas sociedades contemporâneas, bem como dos regimes monárquicos, tenham desembocado num relaxamento generalizado no modus vivendi e na perda das referências que são essenciais ao homem em todos os tempos. A tendência dominante da sociedade hodierna à vulgaridade, à extravagância, até ao hediondo e ao obsceno não é alheia às profundas transformações políticas e sociais a que a conduziu a utopia igualitária, inclusivamente às mudanças das formas de governo.

 

Um passado glorioso que o socialismo quer apagar

Para as gerações que cresceram sob a influência da revolução marxista-leninista de 1974, Portugal não é mais do que um pequeno País no extremo ocidental da Europa, com uma economia fraca, um povo indisciplinado, visto com comiseração pelas principais nações. Esta imagem depreciativa, que nos é inculcada, reflecte algo da situação para a qual fomos arrastados.

Entretanto, quem volta o olhar para Portugal e perscruta a sua História, constata que ela apresenta uma nota essencialmente inusitada. A obra de Portugal desde a sua fundação e na sua heróica expansão pelo Mundo tem algo de misterioso. Não existe proporcionalidade entre os parcos meios humanos de que dispúnhamos e o resultado alcançado, gravado com letras de ouro na História mundial e cantado com fulgor pelo nosso grande Épico.

Influenciámos o Oriente e o Ocidente com recursos escassos, levámos cultura, arte e, sobretudo, levámos a Fé aos quatro cantos da Terra! O nosso passado foi pontilhado por homens de argúcia, de força de vontade, de planeamento e sobretudo por homens de Fé!

Num contraste com o épico desse passado, o século XX deixou-nos como herança uma “austera, apagada e vil tristeza”.

É bem verdade que, se olharmos para o Mundo, encontraremos a nossa presença: Brasil, Angola, Moçambique, Guiné, Timor, Goa… enfim, tantas paragens em que a nossa língua e a nossa cultura frutificaram. Mas a nossa influência, outrora pujante, é hoje diminuta.

Atente-se um pouco para o percurso dos povos africanos no período pós-ultramarino, talvez um dos mais infelizes e trágicos da história contemporânea. Genocídio, fome, epidemias, intermináveis conflitos étnicos têm sido a nota dominante. E para isso têm contribuído os ditadores que vêm ocupando o Poder desde a proclamação da chamada “independência” desses povos.

Acumulando tantas vezes fortunas fabulosas, depressa criaram uma miséria e uma desigualdade injustas, as quais têm sido pontual e vagamente remediadas pelo auxílio humanitário dos países da América do Norte e da Europa, precisamente aqueles que as ideologias revolucionárias qualificam de “colonialistas opressores”.

A longa presença portuguesa em África foi bem diversa, ainda que nem tudo possa ser considerado perfeito. Foi uma presença acima de tudo caracterizada pela acção evangelizadora e civilizadora.

Mas hoje, por força de uma meticulosa “revolução cultural”, só nos referimos ao nosso passado ultramarino com inibição, receio, complexos, timidez e escrúpulos, apenas lamentando os “erros” do nosso passado, como se alguma vez, em tempo de guerra ou de paz, tivéssemos cometido os inconcebíveis crimes dos modernos déspotas africanos!

Contudo, a Providência nunca abandonou a Terra de Santa Maria. Poucos anos após o Regicídio e o golpe que instaurou a república, Ela chamou-nos de novo a influenciar a História. Foi a três simples pastorinhos, filhos da nossa gente, que a Virgem escolheu para transmitir a mensagem mais importante da Era presente. Portugal foi chamado, uma vez mais, a continuar a fazer o inverosímil e, do seu pequeno território, ecoou uma mensagem de espiritualidade por todo o Orbe, fazendo graves advertências e convidando a Humanidade a uma conversão profunda.

É por isso que cremos firmemente numa vocação de Portugal.

 

Juventude e heroísmo

Referimo-nos há pouco ao afastamento crescente entre o mundo oficial da propaganda, da política, dos grandes poderes económicos e a opinião pública.

Enquanto os primeiros parecem caminhar de modo cego e atabalhoado para a concretização de escusas utopias, a opinião pública é percorrida por movimentos paradoxais.

O relativismo dos princípios corrói muitos espíritos; a vulgaridade dos costumes alastra-se a olhos vistos; o hedonismo do modo de viver fascina; o acontecer caótico deteriora as mentalidades.

Entretanto, considerada no seu todo, esta mesma opinião pública sobressalta-se ao vislumbrar as radicalidades para as quais a utopia revolucionária a vai encaminhando e tende, em muitos aspectos, a criar resistências sadias ou entraves intransponíveis.

Além disso, num fenómeno que traz em si o vigor de uma renovação geradora de um futuro auspicioso, muitos voltam-se nos dias actuais com expectativa e veneração para a Tradição.

Há notas de um verdadeiro renouveau dos grandes ideais que estiveram na origem tanto de Portugal quanto da nossa Civilização.

Contrariando a mentalidade hedonista, amplamente divulgada pelos média, surge uma apetência entre muitos jovens pela defesa garbosa de ideais que muitos julgavam para sempre desaparecidos. “A juventude foi feita para o heroísmo e não para o prazer”, dizia Paul Claudel.

Um destes é o ideal monárquico, que tem vindo a ganhar simpatizantes e fervorosos defensores que encontram neste ideal um verdadeiro oásis na preocupante ausência de ideias sãs do mundo contemporâneo.

Ao aderirem de todo o coração ao ideal monárquico-aristocrático, fazem-no como uma oposição heróica a todos os erros do nosso tempo. Percebem que a Monarquia não é apenas uma forma de governo, mas faz parte de uma cosmovisão coerente, de uma coerência que o homem contemporâneo tem sede!

 

A Restauração e o Futuro

O que nós, Arautos d’El-Rei, mais desejamos, no fundo das nossas almas, é a Restauração de Portugal pela Monarquia. Restauração dos valores Cristãos e de uma ordem político-social, fruto, antes de tudo, da renovação interior de todo o Portugal.

Muitos, numa interpretação equivocada da História, crêem que para salvar da completa debilitação o princípio monárquico, devem “transplantá-lo” para os campos ideológicos que são, em si mesmos, contrários aos próprios princípios que sempre constituíram a seiva da instituição monárquica.

Temos por certo que este erro tornará estéril o próprio ideal monárquico, que se verá assim fustigado pelas exalações pútridas do neo-paganismo contemporâneo e que acabará, por fim, como vítima daqueles mesmos a quem equivocadamente estendeu a mão.

Lembremo-nos do Regicídio de há um século e tiremos dele todas as lições. O exemplo daquele duplo martírio é perene!

Estamos certos de que as vozes da “sensatez”, do “equilíbrio” e da “moderação”, dirão que tudo isto não passa de devaneios fora de época.

A História jamais foi feita por aqueles que têm como ideal o “estar no vento”. Estar no vento é o ideal das folhas mortas.

Não nos deixamos acabrunhar pela ideia de que a nossa índole pacífica e um tanto fatalista ditou definitivamente o nosso fim. Realmente o português é pacato, afável e avesso a confusões. Mas se um grande desafio o solicitar, o nosso povo enfrenta o perigo e desafia o risco com uma sobranceria inexcedível.

O exemplo do martírio do Príncipe D. Luis Filipe é perene! O Príncipe morreu lutando em defesa do seu pai e do seu monarca, em defesa do seu reino e dos seus súbditos. Enquanto empunhava uma arma, no seu bolso estava o santo Rosário. Naquele jovem Príncipe, Rei de Portugal por alguns segundos, refulgiu no meio da tragédia a marca e o exemplo de uma vocação histórica.

Confiando nesta fibra do “peito ilustre Lusitano”, cumpre-nos lutar pelo futuro de Portugal, dando novo vigor aos valores que outrora fizeram de nós uma grande Nação ao serviço da Cristandade.

Aos pés de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Rainha e Padroeira de Portugal, elevamos as nossas orações pelas almas do Rei e do Príncipe Real, implorando as graças necessárias para sermos fiéis à missão de Restaurar Portugal pela Monarquia.

 

Lisboa, 1 de Fevereiro de 2008

Centenário do assassinato de El-Rei D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luís Filipe